O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) publicou resolução regulamentando o desconto de 0,5 ponto percentual nos juros do Pronamp Custeio para produtores rurais que possuam Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado e em situação conforme, ou cujo CAR esteja em processo regular de análise e adequação.

O que muda na prática

A medida representa um incentivo financeiro direto para os produtores rurais que já regularizaram ou estão regularizando a situação ambiental de seus imóveis. Para quem opera linhas de crédito de custeio, meio percentual a menos nos juros representa uma economia significativa ao longo de um ciclo agrícola completo.

O Pronamp Custeio atende agricultores de médio porte — aqueles que faturam até R$ 2,4 milhões por ano — e é uma das principais linhas de crédito rural do sistema BNDES. A decisão amplia o impacto da medida para um número expressivo de produtores em Mato Grosso.

Por que o CAR está no centro dessa política

O Cadastro Ambiental Rural é o registro eletrônico obrigatório para todos os imóveis rurais. Ele reúne informações sobre a propriedade, a vegetação nativa existente, as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a Reserva Legal. Sem o CAR analisado e conforme, o produtor não só perde o desconto do BNDES — ele pode ficar travado para acessar outros programas de crédito rural.

O problema é que boa parte dos CARs cadastrados em Mato Grosso apresenta inconsistências: delimitação imprecisa da Reserva Legal, área que não bate com a matrícula, ou informações que não correspondem ao que está efetivamente no campo. Nesses casos, o sistema retorna o cadastro para análise ou exige complementação — o que pode travar o produtor por meses.

O que fazer se o seu CAR ainda não está conforme

O caminho começa pelo diagnóstico: verificar o status atual do CAR no SICAR, identificar as pendências apontadas e entender o que precisa ser corrigido. Em muitos casos, a correção envolve um novo levantamento georreferenciado da propriedade, ajuste na delimitação da Reserva Legal e atualização do polígono no sistema.

Esse processo precisa ser conduzido com acompanhamento técnico e jurídico adequado. Uma correção mal feita pode criar novos problemas — ou resolver o CAR sem resolver a questão ambiental de fundo, o que gera passivo no médio prazo.

O sinal que essa medida manda

A decisão do BNDES é um indicativo claro de que a regularização ambiental deixou de ser uma obrigação burocrática e passou a ser um critério de acesso a crédito. Produtores com passivo ambiental ativo tendem a encontrar cada vez mais restrições — não só no crédito rural, mas também em operações de compra e venda, financiamentos e seguros.

Quem regularizar antes de ser obrigado sai na frente.